quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Lula Côrtes & Zé Ramalho - Paêbirú (1975 Brazil Psychedelia)


A PEDIDO DE MINHA AMIGA CAMILA LÁ DA CIDADE DE PASSO FUNDO/RS, PARA A QUAL DEDICO ESTA MAGNÍFICA POSTAGEM!! UM ABRAÇO CAMILA!!

THE BIGGEST POISON PSYCHEDELIC THAT BRAZIL PRODUCED!!
O MAIOR VENENO QUE O BRASIL PRODUZIU EM MATÉRIA DE PSICODELIA!! EXTREMAMENTE RARO! ZÉ RAMALHO EM FASE MUCHO LOCA!!! LEIAM ATENTAMENTE TODA A HISTÓRIA DESTE VENENASSO QUE ESTÁ CONTADA ABAIXO COM TODOS OS DETALHES QUE O VENENO MERECE!!

Paêbirú is an obscure Brazilian psych concept album about the four elements (earth, air, fire, water) which got ruined in a warehouse fire back in 1974, causing it to become a massively sought-after (lost) classic, which fetched up to $1500 for vinyl copies.

This recording of the collaboration between Brazilian artists Lula Côrtes and Zé Ramalho is a wonderfully off-kilter record, full of fantastic hooky and strange tunes that range all over the place, from full-on freakouts to quiet pastoral. The entire range of 1970s hippie Brazilian musician culture is displayed in this record.

It's experimental, but it's relentlessly driven towards fun. If you like good music, you will like this legendary album untouched by time. Côrtes, who composes and plays on many of the tracks, seemingly appears only when talking about obscure Brazilian psych reissues, Ramalho, on the other hand, has built a solid career as a Brazilian pop singer and takes on most vocal duties.

The sung atmospheric blend, and chanted vocals are no more or less important than any of the other elements, which include classical acoustic and fuzzy electric guitar, piano, organ, flute, sax and a range of percussion. It's free and psychedelic, but just reigned in enough to keep it tense and exciting. The closest comparison might be to combine Amon Düül with Sunburned Hand of the Man and perhaps Double Leopards, if they lived on a commune together in Brazil and recorded while indulging in mass quantities of narcotics.
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A primeira vez que o Brasil ouviu Zé Ramalho da Paraíba foi na voz de Vanusa, que gravou a canção Avohay em seu disco "Vanusa - 30 Anos", em 1977, pela Som Livre. Um ano após, já sem o 'Paraíba", Zé Ramalho ganhou as paradas nacionais com sua enigmática e encantadora mistura sonora. Antes disso, noi entanto, tão fantástica quanto suas letras, a história de Zé Ramalho registra a gravação de um disco que ficou perdido nos escaninhos do tempo.

Trata-se do raríssimo álbum duplo "Paêbirú", creditado a Lula Cortês e Zé Ramalho, gravado entre os meses de outubro e dezembro de 1974, na gravadora Rozemblit, em Recife (PE). Com eles, estão Paulo Rafael, Robertinho de Recife, Geraldo Azevedo e Alceu Valença, entre outros. Na época, Lula Cortês tinha em seu currículo o álbum "Satwa" (1973), que trazia canções com título como "Alegro Piradíssimo", "Blues do Cachorro Louco" e "Valsa dos Cogumelos". Zé Ramalho, já tocando com Alceu Valença, tinha em sua bagagem a experiência de grupos de Jovem Guarda e beatlemania, como Os Quatro Loucos, o mais importante de todo o Nordeste. Clássico do pós-tropicalismo, com (over)doses de psicodelia, o álbum trazia seus quatro lados dedicados aos elementos "água, terra, fogo e ar". Nesse clima, rolam canções como o medley "Trilha de Sumé/Culto à Terra/Bailado das Muscarias", com seus13 minutos de violas, flautas, baixão pesado, guitarras, rabecas, pianos, sopros, chocalhos e vocais "árabes", ou a curta e ultra-psicodélica "Raga dos Raios", com uma fuzz-guitar ensandecida. E, destaque do álbum, a obra-prima "Nas Paredes da Pedra Encantada, Os segredos Talhados Por Sumé" (regravada por Jorge Cabeleira, com participação de Zé Ramalho), com seu baixo sacado de Goin' Home dos Rolling Stones sustentando os mais pirados 7 minutos do que se pode chamar de psicodelia brasileira.

O disco por si só é uma lenda, mas ficou mais interessante ainda pelas situações que envolveram a sua gravação. A gravadora Rozenblit ficava na beira do rio Capiberibe, e o disco, depois de gravado, foi levado por uma das enchentes que assolavam a região. Conta a lenda que sobraram apenas umas trezentas cópias do disco, hoje nas mãos de poucos e felizardos colecionadores, muitas das quais no exterior, onde foram parar a preço de ouro. Contando com a co-produção do grupo multimídia Abrakadabra, o disco trazia um rico encarte, que também sucumbiu ao aguaceiro.

Hoje "top 10" das paradas de CDr no país e ítem valioso no mercado internacional de raridades psicodélicas, o álbum segue misteriosamente inédito no mundo digital. Com isso, a indústria dicográfica brasileira perde uma boa oportunidade de provar que se preocupa um pouco mais do que com o tilintar da caixa-registradora. "Paêbirú", que quer dizer "o caminho do sol" (para os incas), poderia ser o primeiro de uma série de raridades a ganhar a luz do dia, para ocupar uma fatia de mercado que, se pequena comercialmente, é fundamental para a preservação da cultura musical brasileira.

Vale explicar que “o caminho do sol” (Paêbirú) está relacionado às lendas em torno de Sumé, entidade mitológica daqueles povos. Ele teria aberto uma trilha que levaria ao Paraguai e depois, ao Peru. Traços de sua presença estariam registrados no sitio arqueológico de Ingá do Bacamarte, na Paraíba, onde está abrigada a Pedra do Ingá de supostos poderes mágicos. Quando Zé Ramalho encontrou Lula Côrtes em meados de 1974, os dois foram contagiados pelo fascínio pela região de um amigo em comum, o artista Raul Córdula, cujo pai era ligado à sociedade Arqueológica da Paraíba. Eles resolveram fazer um disco conceitual ligado ao tema. Lançado em 1975 como um LP duplo instrumental, Paêbirú. Teve quase toda sua tiragem destroçada pela cheia daquele ano. Sobraram 300 cópias, vendidas como diamantes raros nos sebos, apesar dos relançamentos em CDs por selos estrangeiros.

Udigrudi - Lula Côrtes e Zé Ramalho pesquisaram os ritmos indígenas e as lendas da região. “Nós demos uma roupa nova a essa coisa de lenda, trazendo sempre a carga instrumental da variedade pernambucana de ritmos”. Afirmou nosso anfitrião. Eles resolveram também transformar o disco numa espécie de quem é quem no Udigrudi pernambucano da época numa trip coletiva, também de acordo com a ética hippie. “Zé Ramalho foi de uma importância fundamental, por que ele tinha uma experiência muito grande com bandas. Então ele, era uma pessoa que tinha certa disciplina em conduzir os ensaios.”

O senso de disciplina de Zé Ramalho era fundamental ainda por outro motivo: uma larga fatia dos músicos do projeto estava envolvida com experimentações lisérgicas da contra ventura. Lula Côrtes conta que “a gente ia até a Paraíba e no caminho, parava, comia cogumelo, era uma coisa astral”. A droga possuía um conceito diferente não tinha o banditismo reinante de hoje. Era voltada para te sensibilizar não para te tornar uma pessoa grosseira e estúpida”. Durante as sessões de gravação, os músicos tomaram apenas pequenos fragmentos de LSD para que, como lembra Lula, “ficassem pelo menos em condições de trazer todos os instrumentos afinados e criar uma harmonia entre nós.

Paêbirú, no entanto, não virou uma lenda apenas por ser um disco “chapado”. Seus quatro lados, dedicados aos elementos básicos Terra, Fogo, Água e Ar, misturam percussão tribal, guitarras elétricas e experimentações de estúdio que ainda hoje, espantam pela radicalidade.

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OLHA ESTA REPORTAGEM DO JORNAL "FOLHA DE SÃO PAULO:
Álbum feito por Lula Côrtes e Zé Ramalho, "Paêbirú" é, atualmente, o vinil mais valioso da música brasileira, superando "Louco por Você", o primeiro de Roberto Carlos Não é bossa nova, não é tropicália, não é jovem guarda nem samba. O disco mais valioso da música brasileira é "Paêbirú", feito por Lula Côrtes e Zé Ramalho. O álbum, principal expoente do gênero conhecido por psicodelia nordestina, chega a valer hoje, em seu formato original em vinil, R$ 4.000.

Relativamente desconhecido, "Paêbirú" alcançou preço mais alto do que "Louco por Você", o primeiro de Roberto Carlos, que por anos conservara o título de mais caro do país. Segundo lojistas, donos de sebos, especialistas e colecionadores ouvidos pela Folha, o que inflacionou o valor de "Paêbirú" nos últimos meses foi o grande interesse de compradores estrangeiros pela psicodelia nordestina. "No Sub Reino dos Metazoários", do pernambucano Marconi Notaro, que tocou com Zé Ramalho e Lula Côrtes, também teve a sua cotação alavancada.

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"Não recebo um centavo por isso" Lula Côrtes, que tem seu "Paêbirú" cotado em R$ 4 mil, diz que reimpressão por selo alemão em 2004 não foi autorizada Donos de lojas confirmam preferência por vinis de rock psicodélico nordestino aos de bossa nova, os mais procurados há dois anos.

DA REPORTAGEM LOCAL
"A única coisa chata é que ele é um dos discos mais raros e caros do mundo, mas não recebo um centavo por isso." A frase é de Lula Côrtes, que gravou "Paêbirú" com Zé Ramalho. Devido a desentendimentos entre os dois músicos, o álbum de 1975 nunca foi relançado no Brasil. Em 2004, ganhou uma edição inglesa, em vinil e em CD, obra do selo alemão Shadoks. Mas, segundo Côrtes, isso foi feito sem autorização. "Esse selo é ilegal. Não fizeram contato comigo nem com Zé Ramalho, pois ele é uma pessoa muito honesta e teria me informado sobre isso", afirmou Côrtes, 57, à Folha. Contatado, Zé Ramalho preferiu não dar entrevista sobre o disco.
A ficha técnica de "Paêbirú" traz mais de 20 participantes. Cada lado do discos é dividido como uma suíte (Terra, Água, Fogo, Ar). A música traz influências de canções indígenas, timbres orientais e é classificada como folk psicodélico.

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Faixas:
01. Trilha de Sumé/Culto à Terra/ Bailado das Muscarias
02. Harpa dos Ares
03. Não Existe Molhado Igual ao Pranto
04. O M M
05. Raga dos Raios
06. Nas Paredes da Pedra Encantada
07. Marácas de Fogo
08. Louvação a Iemanjá
09. Regato da Montanha
10. Beira Mar
11. Pedra Templo Animal
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